Emmy 2012: Mad Men Versus Breaking Bad

A maior premiação da TV americana acontece no domingo. Ao invés de citar as categorias e fazer previsões que nunca acerto, resolvi fazer série por série. Começando por dois dramas da AMC que  não por acaso são os meus preferidos.

Mad Men tem muita chance de ganhar de novo. A quinta temporada foi a melhor das cinco e a história continua acertando sem cair no sentimentalismo barato, no melodrama. Tivemos Don Draper com sua personalidade vigorosa e constante, mas sempre mutável.  Seu maior defeito agora não é mais a sua brutalidade velada – é a sua delicadeza. De fato, John Hamm aprimorou o personagem mas, mesmo assim, não leva o prêmio de MELHOR ATOR. Não por falta de esforço, mas porque seus concorrentes realmente estão em outro nível – leia-se Bryan Cranston, de Breaking Bad.

Mad Men Emmy 2012

No ano passado Cranston não concorreu – a série não foi ao ar a tempo de participar do Emmy 2011 – o que deixa aí um espaço para que ele leve, pela terceira vez, o prêmio. Não há nem o que discutir: ele é o melhor ator, tem o melhor papel e suas intenções vivem enganando o público.

Breaking Bad tem chances de levar seu primeiro prêmio como melhor série, mas é preciso certa sofisticação intelectual para gostar de Breaking Bad: a maioria das pessoas é muito básica, violenta, ansiosa, romântica ou conservadora para os sabores não habituais da série.

E não existem palavras para expressar o amor que sinto por Breaking Bad. Eu amo os atores. Eu amo os roteiristas. Eu amo os diretores. Eu amo cada referência que Vince Gilligan usa. É, sem dúvida, minha série preferida. E essa Season 4 teve de tudo. Muita referência ao cinema western. Uma homenagem a Operação França, alguma coisa de The Maltese Falcon e quase tudo dos irmãos Coen.

Dean Norris não apareceu na lista de atores coadjuvantes, o que é um absurdo. Ele tem mais substância do que eu imaginei, e muito dessa substância passou para seu personagem, Hank. Ele tornou-se  muito mais rico do que poderia ter sido. Eu dou crédito ao ator por isso. Voltando a MAD MEN, senti muito a falta de Vincent Kartheiser nessa lista. Pete Campbell não pode ser menosprezado e seu efeito em Mad Men é insubstituível.

Na lista dos coadjuvantes concorrem Jared Harris e Christina Hendricks, além de Ben Feldman (ator convidado) e Julia Ormond (atriz convidada). Todo mundo que tá marcado pode ganhar. Hendricks tem 99,9% de chance. E não há como negar que ela é a Isolda, a Joana d’Arc de Mad Men. Joan Harris é, ouso dizer, a personagem mais autêntica de MM. E a duras penas. Anna Gunn concorre na mesma categoria por Breaking Bad, mas eu prefiro a Skyler dessa atual temporada – vou torcer por ela em 2013, então.

Já Harry, no papel do inglês Lane Pryce, tem na sua frente Giancarlo Esposito, de Breaking Bad. O intrigante é que ambos morreram nas respectivas séries e o Emmy adora premiar na saída. Fico com Breaking Bad aqui.

O episódio “The Other Woman” (Mad Men) concorre como melhor direção. Há muita coisa para observar neste episódio que é uma homenagem ao movimento pela libertação das mulheres. The Other Woman aborda o “valor” e a coragem de cada uma delas. Temos Joan, divorciada e mãe, que está a venda por uma noite, mas depois quer 5% do negócio. Megan, que é tratada um como um pedaço de carne durante um teste. E Peggy, genial no seu trabalho, partindo em busca de reconhecimento. Esse foi aquele episódio da Jaguar, ou da Jaguar se resumindo a Joan.

Parte de mim amou esse roteiro  porque Don, no episódio anterior, fez aquele discurso motivacional sobre trabalhar noite e dia, passar férias juntos, blablablablabla. No final tudo se resumiu a sexo.

Do outro lado temos também o melhor episódio de todos de Breaking Bad. “Face off”  foi dessas coisas inquietantes que espelham a galopante e complexa sociedade norte-americana. E, sobretudo, o lado negro do ser humano – que em Walter White é um verdadeiro breu.

Fiquei assim no final da disputa esse ano:

 

  • Melhor série: Mad Men
  • Melhor ator: Bryan Cranston (B.Bad)
  • Melhor atriz: Elisabeth Moss (M.M)
  • Ator coadjuvante: Giancarlo Esposito (B.Bad)
  • Atriz Coadjuvante: Christina Hendricks (M.M)
  • Melhor direção de um episódio (M.M)
  • MAD MEN 4 x BREAKING BAD 2
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