Resumo Mad Men S06E01E02: Don Draper entre o céu e o inferno

Mad Men voltou! As luzes! As cores! Os figurinos! E claro: as linhas e as entrelinhas. Mad Men nunca teve medo de uma alusão e este primeiro episódio da sexta temporada estava cheio delas – não apenas alusões à morte, mas duas de fato, um funeral e pelo menos uma experiência de quase-morte.

[spoilers a seguir]

inferno don draper 6 temporada

Sabemos agora que este episódio começa em dezembro de 1967 e termina nas primeiras horas de 1968 conforme indica a cópia do The New York Times que Don encontra após voltar do apartamento vizinho. Pra mim não foi nenhuma surpresa ver Don traindo porque já vimos esse filme antes no piloto de Mad Men (1 ª Temporada). O interessante foi a mudança de perspectiva dos roteiristas. Uma mudança genial.

No piloto da 1ª temporada de Mad Men fomos apresentados a um Don Draper mulherengo, um solteirão convicto, boa pinta – só que não. No final fomos surpreendidos pelo personagem voltando para sua casa no subúrbio, onde seus dois filhinhos e sua mulher dormiam. Desta vez, a jogada se inverte. Don parece estável, domesticado com Megan, um homem sério, casado, centrado – só que não.  No final somos apresentados a um homem inseguro e nos braços de outra mulher.

O inferno do livro que Don leu neste episódio é formado por nove círculos e torna-se mais profundo a cada círculo. Na obra, os pecados menos graves estão logo no início, e os mais graves no final. A traição da primeira temporada e a traição dessa última são traições e pecados diferentes. A primeira poderia ser justificada pelo tédio da vida suburbana, mas ao trair Megan, o que os roteiristas sugeriram? Respondo: o problema de Don não é a monogamia. Don é constitucionalmente incapaz de ser feliz no amor, o que torna sua culpa maior ainda. Belo roteiro!

 Mas vamos voltar ao começo deste episódio para entender que inferno é esse

O episódio começou através dos olhos de um homem morrendo (lembrei de Lost) e de repente passou para uma praia ensolarada. Não, Don não morreu e foi pro céu.  Ele está junto com Megan no paraíso e lendo O inferno, de Dante. De quem são os olhos, então? Calma.

Agora Roger faz terapia, questiona o sentido da vida e não admite que está com medo da morte. Eu pagaria para ser terapeuta de Roger. E depois há o funeral da mãe dele.

Roger está lá, Jane está lá, a filha de Roger e sua ex-mulher estão lá e  Don está lá, bêbado. E eis o grande momento: uma velha senhora resolve discursar sobre “amor de mãe” e Don, que é filho de um prostituta que morreu no parto, VOMITA. Roger, irritado não sobre isso, mas sobre a presença do atual marido da sua ex-mulher, grita: “Este é o meu funeral”, e sai correndo.

E aí partimos para outra cena de Don bêbado, só que na portaria do prédio onde mora.  Dessa vez ele resolve encher o saco do porteiro, o dono dos olhos que abriram o episódio. : “O que você viu quando você morreu?”. “Foi tipo o sol?”.

Agora, porque a quase-morte do porteiro foi escolhida para abrir a temporada? Ora, porque é para onde Don retorna após suas férias: pra casa (o inferno?).

Mais uma alusão à morte aparece na campanha que  Don tenta vender para os caras do Sheraton – um homem desaparecendo nas ondas. “O céu é um pouco mórbido”, insiste Don . “Pra chegar lá algo terrível tem que acontecer. ”

Sobre as mulheres, vou colocá-las no contexto do episódio.

Peggy, Megan e talvez  Betty mudaram, com sucessos profissionais para as duas primeiras e pelo menos um toque de felicidade para a última (como estamos falando de Betty, uma espécie estranha de felicidade). No núcleo adolescente, Sally agora chama a mãe de “Betty,” e temos um momento super-freak-que-não-quero-comentar onde mais uma vez entendemos que nós não entendemos Betty.

No Brasil, Mad Men retorna dia 22 pela HBO.

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