House of Cards é versão para TV de Ricardo III

Algumas pessoas perguntaram se eu gostei de House of Cards. Não me manifestei antes a respeito porque não me sinto com propriedade para avaliar o trabalho de três talentosos envolvidos na série – o diretor David Fincher, o roteirista Beau Willimon e o ator Kevin Spacey.

Mas a real é que não gostei e o roteiro me pareceu bastante esquemático. O personagem principal explica demais e usa exageradamente o recurso de sair de cena para enfrentar o público. Não sobra espaço para as entrelinhas.  Entendo que talvez essa seja a linguagem escolhida para a série: teatral, com ares de Ricardo III, a fim de  representar aqueles que buscam o poder ilimitadamente, mas algo me incomoda quando essa linguagem é transposta para a TV.

kevin spacey em house of cards

Preciso dizer que nessa luta Kevin Spacey assume o papel que sabe fazer melhor: o de cínico que alimenta intrigas e seduz adversários sem perder o controle e o meio sorriso. Papel que o próprio já viveu no teatro.

Apesar da estratégia de lançamento nada convencional – e que merece todos os elogios do mundo – House of Cards não é uma série fora do comum e, no meio de tanta coisa boa acontecendo, preciso selecionar aquelas que me identifico mais. Como não fui obrigada a assistir a coisa toda, fiquei somente nos três primeiros episódios – apesar de muitos garantirem que a série só melhora a partir do quarto episódio. Infelizmente não acredito em programas assim =(

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