Mulheres chatas ou quem tem paciência para Debra Morgan?

A gente sabe que personagem bom é personagem que sofre feito o diabo para transformar-se numa outra pessoa, nem sempre melhor do que era. Tony Soprano, Walter White, Don Draper. Todos estão lá com seus conflitos internos externados por ataques de pânico, vício em álcool e… esposas bem chatas funcionando como bússolas morais.

Artigo que li hoje no Indiewire vai além da percepção que nós temos sobre essas mulheres e aponta uma verdade: a idade de ouro da televisão está cheia de estereótipos femininos. Carmela Soprano (Sopranos), Skyler White (Breaking Bad) e Margaret Thompson (Boardwalk Empire) são exemplos supremos de personagens financeiramente e emocionalmente dependentes de seus cônjuges bandidos. É claro que Margaret, nos anos 20, tem o menor número de opções, dada a época em que se passa a série.

O que impressiona e me parece óbvio, após avaliar a trajetória de cada uma delas, é que todas, absolutamente todas, encontram um amante no meio do caminho – como se um par de chifres pudesse castigar a maldade que seus maridos causaram ao mundo.

skyler white de breaking bad e margaret thompson de boardwalk empire

Todo mundo adora descer até as profundezas de homens como Don Draper e Tony Soprano, mas até quando vamos ver mulheres funcionando essencialmente como antagonistas desses caras? Quem ainda aguenta a depressão de Debra Morgan por causa do irmão psicopata em Dexter?

Daenerys Targaryen, de Game of Thrones, e Carrie, de Homeland, estão aí para mostrar que sim, gostamos de mulheres fortes. Assim como Norma Bates, de Bates Motel e Claire Underwood, de House of Cards. Acho que este é o desafio: criar histórias alternativas para mulheres sem cair no que já estamos cansados de ver. Torço para que Skyler White, a mais conflitante das boas esposas, ou pelo menos na posição de maior conflito, mostre outro lado no final da série.

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