Final de Dexter é marcado por moral religiosa

Mais Michael C.Hall. Era dele que Dexter precisava e foi isso que vimos no episódio que encerrou a série, cuja temporada não acompanhou a beleza do final. Existia em mim a crença de que o último episódio de Dexter seria um lixo. Normal.  A vida também é assim e vez ou outra somos pegos de surpresa diante de um desenlace que tinha tudo para dar errado, mas acaba dando certo. Nesse caso, por causa do elenco.

Não leia se você não assistiu.

quem morre em dexter

Mergulhados em um mundo condenado, sob a metáfora do dilúvio – na Bíblia, chuva é sinônimo de benção – Dexter e Debra deixam de existir. Atuação demasiadamente forte com texto feito para comover.

Segundos depois, vemos os destroços do Slice of Life“- apenas a palavra “slice” boiando na água. Que simbólico! E, em seguida, o momento mais especial de todos: quanto tudo é silenciado. A narração, o pai, todos os fantasmas se calam para que Dexter lance um olhar, sobretudo humano, para a câmera. É a primeira vez na série que Dex olha para a câmera e permanece calado. Isso significa que aquele Dexter que conhecemos morreu. E nós sabemos por que.

Um momento, em especial, resume a transformação sofrida pelo personagem e é esclarecedor quanto ao futuro de Dexter: um humano que foi transformado em monstro que volta a ser humano. Quase um “Cidade dos Anjos“dos psicopatas:

“As much as I may have pretended otherwise, for so long all I’ve wanted was to be like other people, to feel what they felt… Now that I do, I just want it to stop.”

Sobre a falta de solução para alguns problemas e o encerramento meia-boca de personagens, uma das produtoras da série teve a coragem e a cara de pau de dizer ao TVLine

“Não podemos amarrar [tudo].Eu sei que as pessoas estão preocupadas com Quinn ou Angel, mas essa sempre foi a história de Dexter”.

Não é justificativa. Colocar personagens tão inesquecíveis de escanteio em detrimento do tempo (foram oito temporadas pelo amor de deus) me parece desculpa para pura incompetência. Amarrar tudo não é uma “opção”, é uma exigência da história. Talvez esse tenha sido o erro mais fatal dessa última temporada.

Apesar dos tropeços no final, é preciso reconhecer: o lugar de Dexter na história da tv é indiscutível. Não só pela popularidade. O primeiro sucesso original do Showtime foi trampolim para muitas outras séries do gênero e encorajou o canal a investir também em outras histórias, caso de Homeland.

R.I.P

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