setembro 08

The Letftovers é metáfora sobre depressão

O último episódio da primeira temporada de The Leftovers (HBO) foi ao ar ontem e dessa vez ficou claro que esta não é uma série sobre:

1. os mistérios envolvendo o sumiço de 2% da população.
2. o sobrenatural
3. religião

The Leftovers é uma série sobre a incansável e desgastante luta da humanidade contra a depressão. E isso fica evidente nos dois últimos episódios, quando somos levados para o dia da Partida, momento no qual 2% da população mundial some sem nenhuma explicação.

São muitas as evidências de que a depressão é a temática principal da série.

A maioria dos personagens já está diante do monstro mesmo antes do sumiço. Uma das últimas frases ditas antes da Partida vem de Patti: “Eu não sei por que, mas eu me sinto triste” (a frase é dita num episódio cheio de cenas passadas em uma sessão de terapia).

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Os Remanescentes Culpados – um culto formado por pessoas vestidas de branco que andam em pares sempre fumando – fazem sentido nessa temática. Eles representam fisicamente a depressão, a maneira como as pessoas somem lentamente e em silêncio.

 

Também podemos considerar os caminhos percorridos pelos personagens em busca de fé. Sempre dá algo “errado”. No terceiro episódio, o padre (o melhor personagem da série, ou talvez o melhor ator) persegue uma série de sinais “indicados por Deus”. Mas no final do episódio, a certeza é arrancada da forma mais cruel possível.

 

The Leftovers tornou-se um dos lançamentos mais polêmicos do semestre – dividida entre os que abraçaram sua narrativa ousada (onde eu me encaixo) e entre os que acharam a história sombria demais – e vai voltar em 2015 para sua segunda temporada.

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O último episódio foi devastador, mas também deixou sinais de esperança para os protagonistas. Belo trabalho dos seus criadores, Damon Lindelof e Tom Perrotta.

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