Sobre as discrepâncias em The Affair

E se as sessões de Tony Soprano com sua psicanalista fossem mais importantes que a máfia em Sopranos? É mais ou menos isso que acontece em The Affair, série vencedora do Globo de Ouro. Eis alguns pontos sobre sua primeira temporada.

[SPOILERS]

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Sobre o que é The Affair, afinal?
Um caso extraconjugal contado sob duas perspectivas e seu reflexo nas famílias envolvidas. Para contá-la, uma investigação – que, até onde entendi, funcionaria apenas como um recurso de exposição. Só que The Affair, em algum momento, se atropela querendo ser sobre tudo (Lost, The Killing, True Detective, Sopranos) e coloca a investigação no centro da série. Ou seja, eles atropelam a premissa que nos foi apresentada inicialmente.

Por que suas histórias divergem tão drasticamente?

Após ler alguns muitos comentários sobre o episódio final, encontrei uma explicação razoável: as histórias que estamos vendo são baseadas nas memórias que eles tem do passado – quatro anos atrás. Depois de tanto tempo, é normal que essas histórias não batam. Ou ambos estão mentindo.

Os roteiristas vão amarrar todos esses enredos bizarros na segunda temporada?
Provavelmente eles não vão conseguir. São muitas passagens de tempo, eventos, encaixes e perspectivas. O que ficou solto deve ficar solto com a justificativa de que “não foi real”, foi “apenas uma memória, um sonho, uma quimera”. Não dá pra amarrar bebê morto- tráfico de drogas – best-seller – suicídios falsos – rancho hipotecado – um aborto- auto-flagelação – um teste de gravidez POSITIVO esquecido no lixo da cozinha – o sutiã da amante dentro de uma das gavetas do casal- investigação de acidente/assassinato- detetive mentiroso.

E porque isso importa?
Não importa. Tudo que importa agora é Vikings, House of Cards e Mad Men.

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